domingo, 30 de dezembro de 2007

Algarve Cabeça


foto pobrediabo
Encarei-o fixamente.
Olhos nos olhos e disse-lhe:
- E atão, pá?
Ele fingiu-se de morto ...

Erat lapis


fotoalrbc

Medio in via
Erat lapis
Erat lapis
Medio in via

Drumond de Andrade

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Lá, onde os ônibus se divertem e os cruzamentos são descontrolados ...





fotos podrediabo

Lá em Londres, vez em quando me sentia longe daqui
Vez em quando, quando me sentia longe, dava por mim
Puxando o cabelo, nervoso,
Querendo ouvir Celly Campelo pra não cair
Naquela fossa em que vi um camarada meu de Portobello cair
Naquela falta de juízo que eu não tinha nem uma razão pra curtir
GGil

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

na cidade, muitas cidades


agora são outros
os que do outro lado vieram
para esta margem
para o lado certo
uns vaidiadores
dos vários atlânticos
que nos unem e nos separam
atlânticos reais e imaginários
que abrem caminhos
outra já cá andava
do lado certo
uma vaidiadora
com os tejos ao fundo
os vários tejos com que se tecem vidas
dentro de uma vida
todos em neuquén
vaidiando horas para ir mais a sul do sul

sábado, 5 de maio de 2007

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

olhares sobre a cidade - pessoas

quantas cidades||quantas ruas||quantos vizinhos||quantos jardins||quantas vidas||quantas histórias||quantos cafés abertos e fechados||quantas caminhadas||quantas solidões||quantos olhares
habitam em cada pessoa que constrói a cidade?


fotos aav||almada

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

tantos mundos num banco sentado

Muitas vezes me desloquei para a estação dos caminhos-de-ferro com o fim de não me deslocar para lado nenhum. Ficava no banco de madeira a olhar a gente transitando. E me abandonava naquele assento durante horas, sem que o tempo me pesasse. Talvez eu viajasse mais que os próprios passageiros que chegavam e partiam. A minha cidade era pequena, tão pequena que os domingos, com o seu tédio antecipado, não eram notados. Eu inventava os meus tempos fora do Tempo, ali na arrastada azáfama da estação ferroviária.
mia couto

domingo, 28 de janeiro de 2007

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

o mar ali não era

O camaleão percorre a rua calmamente. Muda de cor. Suavemente. Ao longe vê uma cabine telefónica. Vermelha. Calmamente passa junto à cabine.
Não consegue o que pretende: ser cabine.
Porque será? Pergunta
Lança de novo os olhos para dentro da cabine. Vê um peixe azul e violeta a falar a um telemóvel.
Não é possível - pensou. Afinal não é suposto que o peixe esteja numa cabine telefónica. Muito menos azul e violeta e ainda por cima com telemóvel. Mas... isto cheira a mar.
Calmamente atira-se ao mar ...

Era tarde quando percebeu que não sabia nadar e que o mar ali não era.